Blog Independente

Postagens aleatórias, ideias e reflexões perdidas, à procura do equilíbrio e da informação imparcial.

Generalizando

O “Barão de Itararé” já dizia no início do século passado que “Este mundo é redondo, mas está ficando chato”, isso porque ele não tinha internet e muito menos Facebook. Como os amigos sabem, sou muito fã de tecnologia e do seu uso “para o bem”. Embora muitas pessoas e eu também, perceba que não importa qual seja a tecnologia ela invariavelmente será utilizada “para o mal”.
Podem me acusar de pessimismo, mas isso é praticamente uma verdade absoluta. Aprendemos a controlar o fogo e saímos queimando aldeias inimigas, inventamos o avião e bombardeamos quem não ia com a nossa cara, até a inocente invenção da escrita termina com decretos que atrapalha a vida de milhares. Esses são alguns exemplos, mas se observarmos, tudo terá um lado negativo, tudo.


A internet nos permite estar conectados com o mundo. Em menos de meio dia qualquer notícia de impacto estará espalhada por todo o globo. Alguns criticam que essa conectividade nos isola dos que estão próximos, o que acho um tanto exagerado, consigo imaginar facilmente que, em qualquer momento da era pré internet, pessoas podiam estar reunidas em um mesmo lugar em completo silêncio, sem interagir com a pessoa ao lado, ou talvez eu esteja enganado e no passado o mundo era só interação interpessoal.
Um problema que vejo na internet é a dimensão que algumas coisas tomam, criando interpretações baseadas em amostras viciadas. Quando eu era criança, quando o meu coleguinha de sala me chamava de gordo a única pessoa que era afetada e comovida, era eu. Talvez um ou outro achava errado, mesmo que em silêncio, mas na minha cabeça só eu tinha sido afetado por isso. Hoje, uma briga de colégio viraliza em minutos e isso já é motivo pra dizer que é o que acontece em todas as escolas do país o tempo todo. Mesmo que ninguém tenha visto outra briga dessas acontecendo.
Isso acontece com tudo, com falta de educação, racismo, homofobia, machismo, política, futebol, religião… Tudo pode ser distorcido pela unidade de um fato isolado ser extrapolado para a regra geral. Não estou falando que não acontece mais de uma vez e que não aconteça casos que não tomamos conhecimentos, mas ainda assim são eventos pontuais, não equivale a 0,1% do geral. No entanto, elevarmos fatos vergonhosos isolados para generalizar um ponto de vista, me parece errado, muito errado.

Devo acreditar?

Essa é uma pergunta que todo mundo deveria ter em mente quando começa ler, ouvir ou ver alguma coisa. Isso não tem nada a ver com ser cético, ou não. A mentira é inerente ao ser humano, mas antes da mentira temos a omissão. Para algumas pessoas, a sustentação de um ponto de vista é tão fundamental que ela pode utilizar de recursos para “facilitar” a aceitação desse ponto de vista pelo interlocutor. Vamos para um exemplo hipotético.

Um corretor de imóveis está lhe apresentando um novo empreendimento imobiliário, ele irá lhe falar o número de dormitórios, as vagas na garagem, o espaço gourmet, essas coisas, mas dificilmente ele vai te contar que no horário de pico é impossível sair com o seu carro ou que durante o carnaval um bloco passa exatamente na sua rua. Em nenhum momento ele mentiu para você, mas informações que poderiam influenciar no seu julgamento foram maliciosamente omitidas para facilitar o processo de venda.

Em tempos de internet, fica difícil de acreditar em certas coisas.

– Aristóteles (Filósofo grego, 384 a.C. — 322 a.C.)

Com isso em mente, gostaria de propor esta reflexão a você que estiver lendo isso, a partir de agora, tudo o que lhe for apresentado, o primeiro questionamento será “Devo acreditar?”, incluindo as palavras que acabou de ler, eu acho que você deveria, mas não estaria eu querendo lhe fazer desconfiar do mundo, por algum motivo obscuro? Eu sei que não, no entanto, você não me conhece e não é porque está escrito na internet que isso se torna verdade, ou será que é?